31 de jul de 2016

81

Depois que eles terminaram, ela jurou nunca mais pintar as unhas de vermelho pra ninguém que não fosse ela mesma.

* Baseado em fatos irreais
** To be continued 

9 de mai de 2016

80

Ela calou o mundo com música nos ouvidos e experienciou a distância. Se desconectou de tudo a sua volta e mesmo no ônibus lotado, conseguiu ficar sozinha. E aqueles momentos de solidão, tiveram um sabor diferente. Era bom estar consigo mesma e mais ninguém.
Conseguiu calar os pensamentos e meditou ao som de suas músicas favoritas, sentiu paz e serenidade em meio ao caos da sua cidade. Tudo fica mais poética com trilha sonora.

* Baseado em fatos irreais
** To be continued 

26 de fev de 2016

79

Nessa memória, ela era oceano. Era tanto mar, tanto mar que tinha que sair pelos olhos. E se sem querer a língua encostasse, sentia que era salgado, seu imenso oceano.
E vinham em ondas, as lágrimas, num vai e vem quase infinito. Mas findava. E depois de um tempo, vinha a calmaria, uma sensação de que não tinha mais água pra derramar.
Nessa época, era como as marés, todo dia tinha maré cheia e ela transbordava. Sagrado choro, ritual de limpeza onde ia tirando pela água todos os males de seu coração.
O choro parou, eventualmente, porque o tempo é amigo e se soubermos ser pacientes, tudo se acalma. Continuava oceano, mas tranquilo, porque ela era força da natureza e estava mergulhada em sonhos e incertezas.

* Baseado em fatos irreais
** To be continued 

4 de fev de 2016

78

Parou de fugir de si mesma, de bloquear pensamentos lendo livros. Depois de meses, se permitiu divagar, se perder em reflexões no caminho de volta pra casa no metrô.

* Baseado em fatos irreais
** To be continued

24 de jun de 2015

77

Eram tantas músicas, mais tantas músicas que descreviam o que ela estava sentindo nesse dia, que a fez pensar que todas as histórias de amor já aconteceram.
Mais uma vez, ela se sentia ordinária. Aquele momento único, aquela coisa que só eles entendiam, que palavras não conseguiam explicar, se reduziu ao cotidiano. Ninguém se chocou, todo mundo entendeu como algo que pode acontecer com qualquer um, menos ela.
Mas lá estavam as canções, as poesias, as dores de tantos outros que se misturavam com as dela e a ajudavam a entender que amores vem e vão, são aves de verão.

* Baseado em fatos irreais
** To be continued

29 de ago de 2014

76

Ansiedade. Difícil pra ela lidar com isso.
Quando era pequena, era até gostoso ser ansiosa. Aquele geladinho na barriga quando algo muito esperado estava pra acontecer, aquele arrepio na nuca nos segundos que antecediam o fato.
Com o passar dos anos, deixou de ser bom e começou a se transformar em algo mais difícil de se lidar. A falta de sono no dia anterior, o acordar de 10 em 10 minutos, horas antes do despertador tocar e os diálogos imaginários que nunca representavam a realidade eram como fantasmas durante a noite.  A sua necessidade de pensar todos os possíveis desfechos pra história fazia com que alguns dias ficassem impraticáveis.
E era comum a sensação de deseperdício de tempo, de desgaste mental pra situações que se resolviam em questão de segundos, como na vez que decidiu pedir demisão porque não estava se sentindo valorizada na empresa e tinha uma lista infinita de argumentos e respostas pra dar a seu chefe. Quando, suando frio nas palmas das mãos, sentou pra falar com ele, teve todo o seu apoio e ainda foi demitida pra que pudesse ter direito ao FGTS e ao seguro-desemprego.
Depois soube que o chefe também estava se sentindo assim, mas sabia que ia ser demitido em breve e não quis que empresa fizesse com ela o que iam fazer com ele.
Noites de sono perdidas e ela sem saber como reagir a uma atitude tão contrária a que ela estava esperando. Até a sensanção de felicidade por não estar mais vinculada àquela empresa soou como algo muito esquisito.
Pegou sua bolsa -pois foi liberada do aviso prévio, pegou o ônibus pra casa e sem querer conseguiu não pensar em nada por algumas horas. Extremamente, estranhamente, deliciosamente libertador.

* Baseado em fatos irreais
** To be continued